segunda-feira, fevereiro 09, 2009

O Ponto De Não Retorno

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ontem na RTP1 que José Sócrates “tem uma relação difícil com a verdade”.
Esta afirmação, sem vir acompanhada de factos que a justifiquem, é tão difamatória como o cartaz da JSD, cuja iniciativa o professor classificou de . O seu conteúdo é exactamente o mesmo: dar ideia de que José Sócrates não é um homem sério.
Talvez a forma do professor fosse menos má, mas, quanto ao conteúdo, esteve ao nível dos putos da JSD.

O professor só se preocupa com a forma, ou seja, com a imagem, e foi por isso que deu este conselho a Manuela Ferreira Leite, para subir nas sondagens: mude de imagem, senão o PSD arrisca-se a atingir o ponto de não retorno.

Onde é que já vai o ponto de não retorno... Aconteceu exactamente naquele segundo em que elegeram Santana Lopes para chefiar o partido. Se poucos repararam (alô Pacheco Pereira), é porque afinam pelo diapasão do professor: Só estão preocupados com a imagem.

Mas será que Santana Lopes, Marques Mendes, Filipe Menezes e Ferreira Leite tiveram todos problemas de imagem? Não, senhor professor.
Os problemas do PSD são de conteúdo e provêm de “relações difíceis” com a seriedade.
Dou exemplos:
Apoiar greves e manifestações de professores é um problema de conteúdo para quem tem uma “relação fácil” com o oportunismo, não de imagem.
Votar a proposta do PSD/Madeira, para que o orçamento de estado pague 50% das prestações da casa “às pessoas que precisam”, é um problema de conteúdo, próprio de quem tem uma “relação difícil” com a responsabilidade, não de imagem.
Agitar o espantalho dos camionistas em plena crise é um problema de conteúdo, sintomático em quem tem uma “relação fácil” com a demagogia, não de imagem.
Opor-se, como fez Marques Mendes, ao encerramento de maternidades sem condições de funcionamento, é um problema de conteúdo para quem tem uma “relação fácil” com o populismo, não de imagem.

AH! Quanto à "relação difícil com a verdade”, o professor estaria certamente a pensar nos colegas de partido que culpam as sondagens por todas as desgraças…

5 Comentários:

Às 11/02/09, 04:29 , Blogger Unknown disse...

Existe um puto que, ao longo dos anos, tem brincado que se farta.
Eis alguns dos exemplos que andam por aí:
1- Em tempos idos, lá para a rua de São Bernardo, depois da conversa passar pelos tremores de terra, o puto entrou de gatas no quarto da avó e escondeu-se debaixo da cama. Quando a avó se deitou e apagou a luz, levantou o rabo e o costado, a cama ergueu-se e baloiçou. A senhora entrou em pânico, apareceu na rua, em camisa de dormir, aos gritos. O puto divertiu-se e saiu de cena.
2- Decorridos muitos anos, o puto voltou para atazanar um jornalista com uma imagem credível que gostava de notícias em primeira mão. O jornal deu à estampa uma falsidade, o Paulinho irritou-se e nunca lhe perdoou, o puto divertiu-se e saiu de cena.
3- O puto apareceu como candidato a um cargo político, tentando revelar uma boa imagem, talvez à maneira americana, quis conduzir um táxi, quis nadar nas límpidas águas do Tejo. A imagem ficou desfocada, perdeu as eleições e irritou os comparsas, o puto divertiu-se e saiu de cena.

Actualmente, afirmam que o puto regressou, irritou os políticos, divertiu-se e saiu de cena.

Dizem que o puto se esconde num ser humano que, politicamente, atingiu o ponto de não retorno há muito.
O puto parece continuar num retornar de baralhação, irritação e diversão.

Quando o puto vem à tona, a gente até se ri, acha-lhe uma certa graça.

 
Às 11/02/09, 10:50 , Blogger j disse...

Não conhecia esta história do "puto da R. de S. Bernardo", mas ela é bem o paradigma do comportamento do puto ao longo da vida: toca e foge!!!
Apenas acrescento que quem não deve ter uma saudável relação com a verdade é quem passa a vida a fingir que não pode casar por ser casado, ou quem se esconde atrás de uma qualquer inexistente vichyçoise...
De tão farto das suas "homilias dominicais" já nem me lembro dos tiques nervosos que tanto dinheirinho lhe têm rendido...

PS. Quem não quer ser lobo, que lhe não vista a pele.

 
Às 12/02/09, 21:22 , Blogger Gomez disse...

Oh Zé

Não faças de conta....





Está bem... façamos de conta

Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport.
Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal.
Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?).
Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível.
Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação.
Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva".
Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda).
Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport.
Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal.
Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também.
Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus.
Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores.
Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República.
Façamos de conta que não há SIS.
Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso.

Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos.
Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas.
Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja.
Votemos por unanimidade porque de facto não interessa.

A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.

 
Às 13/02/09, 03:58 , Blogger Unknown disse...

Quem será o Zé?

E o não fazer de conta fazer de conta que faz de conta?

 
Às 13/02/09, 10:44 , Blogger José Ferreira Marques disse...

Caro GoMez (eu sei com quem estou a falar...):

A amizade impede-me de apagar o plágio que fizeste do plágio do outro escroque.
Mas não abuses...

 

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