sexta-feira, janeiro 19, 2018

Piar fininho

Quem esperava saber novidades na abertura do ano judicial terá ficado desiludido. Isto é, os oradores do ramo limitaram-se ao politicamente correto, garantindo que tudo está bem, com a ressalva de que gostariam de ter mais dinheiro e mais meios, como todos nós... Nada de novo, portanto.

Os que ainda acreditavam que o presidente Marcelo fosse tão "assertivo" com o poder judicial, como tem sido com o poder executivo e com o parlamento, terão assistido a um exercício de equilibrismo com pinças e paninhos quentes que resultou confrangedor.
Se até o presidente pia fininho perante um poder que não emana dos votos, mal vai a República.

segunda-feira, janeiro 15, 2018

Vendilhões


O problema é que já nem o diabo parece interessado nestas almas que batem muito no peito, mas não hesitam em dar facadas nas costas.


domingo, janeiro 14, 2018

Atravessar a ponte

Se Rui Rio conseguir atravessar a ponte sem se desorientar, talvez tenhamos homem. Outros o tentaram e vários falharam: Miguel Cadilhe, Fernando Gomes, Teixeira dos Santos, Daniel Bessa... A lista é extensa.

Há tripeiros que não conseguem viver sem o Porto e, quando têm que se ausentar, tentam levá-lo  com eles. Como ainda nenhum conseguiu, acabam desiludidos e regressam a penates...

quinta-feira, janeiro 11, 2018

O ultimo combate

Ouvir hoje na radio (TSF e Antena 1) o debate entre Rui Rio e Santana Lopes foi mais do mesmo. Embora se apresentem como homens de futuro, tanto um com outro têm passado e os portugueses conhecem-no. Os debates não acrescentaram nada a esse passado que ambos tentaram justificar, atacando-se mutuamente.

Sobre o que propõem para o país - educação, saúde, segurança social, emprego, crescimento -, nada de concreto, apenas lugares comuns. A única preocupação de ambos foi baixar o IRC, o que não deixa de ser sintomático da política que querem prosseguir. Como apenas 32% das empresas paga IRC, o fraco alcance desta medida na economia torna-se evidente.

Ah! E ambos querem alterar a Constituição...
À direita a renovação continua adiada.

segunda-feira, janeiro 08, 2018

Telhados de vidro

Sobre a lei de financiamento partidário,  entretanto vetada pelo presidente da República, não me pronunciei. A lei desconheço-a em concreto, o veto, pareceu-me condicionado pela pressão da opinião pública, mas, que o mandato de Marcelo vai ser orientado pelo populismo, ninguém duvida.

O que mais me escandalizou não foi a isenção do IVA aos partidos, algo que é concedido a igrejas, IPSS, e mais alguns milhares de instituições cuja utilidade pública está longe de se poder comparar à dos partidos. 
O que de facto foi vergonhoso neste processo foi a postura do CDS. Um partido que teve a lata de receber dinheiro de Jacinto Leite Capelo Rego, deveria ter tento na língua e não vir pregar lições de moral. Quem tem telhados de vidro...


sexta-feira, janeiro 05, 2018

Santana vs Rio

O país assistiu a um debate onde o prato forte foras tricas. Se em vez de tricas, o Rui Rio tivesse trazido uma dose de tripas...
O que ontem vimos foram dois políticos datados, cada um à sua maneira: Santana regressou ao estilo de "menino guerreiro", interrompendo amiúde o  adversário, um modelo de debate muito em voga nos anos oitenta do século passado, que já não pega. Para além disso, tentou convencer-nos de que o culpado das trapalhadas que arranjou  quando herdou o cargo de primeiro-ministro de Durão Barroso foi o presidente Jorge Sampaio. Uma trapalhada!

Por seu lado Rui Rio, sempre no estilo "não me comprometa", não conseguiu desembaraçar-se da acusação de ter sido simpático com António Costa quando ambos eram presidentes de câmara, o que para Santana parece ser impedimento  para ser líder do PSD. Embora ser malcriado e agressivo com adversários políticos ainda tenha seguidores (vide Assunção Cristas),  a boa educação e a tolerância nunca fizeram mal à democracia e o povo sabe valorizá-la, como mostram as sondagens.

Por fim, sendo bons seguidores do guru de Belém esperava-se que dissessem como pensam reinventar o país, mas também nisso ficámos em branco. 

Uma perda de tempo.

quarta-feira, janeiro 03, 2018

O grande inventor

A Marcelo Rebelo de Sousa nunca faltou imaginação, sendo talvez  um dos responsáveis pela tendência inventiva do jornalismo português.
Somos um país pequeno onde, felizmente, não acontecem muitos acontecimentos relevantes. A solução é inventá-los e a nossa imprensa encarrega-se  disso. Desde que Trump inventou as fake news, qualquer um perspega uma galga no Facebook que ninguém lhe questiona a veracidade da bojarda.

Como Presidente da República, Marcelo está a outro nível e não se contenta com inventar factos ou simples notícias. Quer inventar um país,  pois já não lhe chega este minúsculo retângulo. 
Incensaram-no, agora aturem-no.



segunda-feira, janeiro 01, 2018

Cuidado com os afetos

Como alguém já disse, os afetos atribuídos ao presidente Marcelo de afeto têm pouco. Tudo espremido, é simples populismo.

O problema é que, independentemente das intenções dos respectivos sujeitos, o populismo em Portugal escorrega sempre para o Salazarismo.
Enquanto a direita não gerar uma referência compatível com a democracia, Salazar continuará a ser a sua referência ideológica.
Sá Carneiro e Freitas do Amaral não conseguiram corporizar uma alternativa a essa referência. O primeiro, cuja trágica morte foi explorada no pior sentido, teria hoje dificuldade reconhecer o partido que fundou, tal a deriva de inspiração Salazarista provocada por  décadas de liderança cavaquista.
O segundo, Freitas do Amaral, teve de abandonar o CDS.- que lhe deve a paternidade -, pois, doutro modo,  arriscava-se a ser expulso pelos arrivistas que transformaram o partido num consumível descartável do PSD.

Em quarenta anos de democracia, o expoente da direita portuguesa foi Cavaco Silva,  cuja obra em prol do país foi tão desastrosa que hoje poucos duvidam ser ele o principal responsável pelo atraso de Portugal face aos parceiros europeus.



domingo, dezembro 31, 2017

Pisar o risco

"... o Presidente encontrou naquilo a que se chama os “afectos”, que de afectos tem pouco, uma fórmula de aumentar tanto a sua popularidade que ela lhe serve de poder em matérias em que constitucionalmente não se devia meter."

Um professor de direito constitucional que "esquece" a separação de poderes quando se torna presidente da República, não tem desculpa nem atenuantes.

Provar do próprio veneno

Fenómeno que não tem sido muito divulgado relativo às últimas eleições na Catalunha, que deram a maioria ao conjunto dos partidos pro-independência, foi a vitória dos partidos que querem continuar espanhóis nas maiores cidades da região, Barcelona e Tarragona.

Baseado neste facto criou-se um movimento que passou a "lutar" pelo desmembramento  destes espaços da Catalunha, isto é, lutar pela independência de Barcelona e de Tarragona da Catalunha...
Este território anti-independentista, a que chamam Tabarnia,  corresponde a uma faixa  de 250 quilómetros ao longo do Mediterrâneos por 60 quilómetros terra dentro, a parte mais rica e urbana de toda a Catalunha.

Esta luta particular passa pelo humor e pela utilização maciça das redes sociais, onde já ocupa os lugares cimeiros, mereceu referências do New York Times e está a ser observado por instâncias europeias.

Convocar um referendo legal para desanexar da Catalunha este território é uma possibilidade real, o que provoca calafrios nos independentistas catalães que se preparam para assumir a Generalitat, cujo orçamento é suportado a 87% pelos contribuintes da Tabarnia... 2018 promete. 
Bom Ano!

(Mais informação aqui)



sexta-feira, dezembro 29, 2017

Diálogos de fim de ano


- Que história é essa do pernil de porco da Venezuela?
-  Queriam pernil de porco preto sem pagar...
-  Grandes maduros!...

- Diz aqui que há nove mil que não querem dar o nome de Mário Soares ao aeroporto do Montijo.
- Se fossem nove milhões... Provavelmente preferem o Paulo Futre, que é da terra, como o do Funchal que é do Cristiano...

- O Rui Rio diz que vai libertar Portugal da amarração à extrema esquerda.
 Embora não fosse  assim tão novo no 25  de Abril, já se deve ter esquecido do que é estar amarrado. Mas quem primeiro falou em amarras foi o Saraiva da CIP. À falta de ideias que lhe espevitem a campanha, o Rio aproveitou a deixa


- Esta é a melhor: os portugueses vão ser todos aumentados em 2018.
- Deve ser por causa da tal amarração, mas é melhor esperar para ver. Os partidos é que  não tiveram paciência e já se adiantaram...

- O Marcelo continua internado.
- Deve estar pior que estragado. Obrigaram-no a parar... Estimo as melhoras.


Bom Ano!





segunda-feira, dezembro 25, 2017

A frase do ano


Qual destes políticos algarvios é o autor desta frase?

- Aníbal Cavaco Silva
- Manuel Teixeira Gomes
- José Mendes Bota
- Mário Centeno

Quem acertar ganha uma entrada para o réveillon no Terreiro do Paço...

Quem tiver dúvidas, pode seguir o link e ficar a saber como se conseguem os "milagres" que alguns insistem em negar, apesar das evidências.

domingo, dezembro 24, 2017

Boas festas



Aos visitantes deste blogue, com sinceros agradecimentos pela vossa distinção, votos de Feliz Natal.

sexta-feira, dezembro 22, 2017

Presidente promulga orçamento 2018, porém...


Pântano catalão

Conhecidos no essencial os resultados das eleições autónomas na Catalunha, no que respeita ao futuro governo e parlamento catalães ficou tudo praticamente na mesma, ou seja, em ambas as situações, quem vai predominar são os partidos independentistas.
O partido mais votado foi no entanto um partido do chamado bloco constitucional, o Ciudadanos, uma vitória saborosa para a sua líder local, Inês Arrimadas, que não chegou para impedir a vitória do bloco independentista.

Confirmando uma tendência que já vinha detrás, o Partido Popular do primeiro-ministro Mariano Rajoy caiu estrondosamente, tornando-se no menos votado dos partidos com assento no parlamento catalão, com apenas  três depurados. Uma derrota clamorosa,  para o líder do partido na Catalunha, Garcia Albiol, mas também para o primeiro-ministro, que se empenhou na sua eleição,  e para o próprio Partido Popular, que ao desaparecer do mapa político na Catalunha arrisca perder em toda a Espanha para o Ciudadanos.
Uma crise política em Madrid não surpreenderia.

Por outro lado, muitos dos líderes independentistas, vitoriosos nestas eleições, incluindo o melífluo Carles Puigdemont,  continuam sob alçada da justiça, arguidos de crimes contra o estado espanhol, nada sugerindo que as eleições os libertem desse grilhão, o que vai  convulsionar o pântano catalão.

Em tempo: Convém ter presente que embora tivessem ganho em número de deputados, os independentistas perderam para os partidos constitucionalistas em número de votos. Ou seja, há mais eleitores que não querem a independência que o inverso. 


quarta-feira, dezembro 20, 2017

Atropelamentos e sabotagens

Só estranha quem não anda na rua. Neste caso, além da tradicional deseducação dos condutores, junta-se a indisciplina dos peões. Já repararam na quantidade dos que evitam os passeios, preferindo  invadir a faixa de rodagem?
Ou porque são velhos e a faixa de rodagem é mais plana que os passeios, ou porque têm medo dos roubos por esticão, certo é que este fenómeno relativamente recente, também não deve ser estranho ao aumento dos atropelamentos.
Nem falo daqueles que, saindo do nada, entram a correr nas passadeiras...

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Vícios privados, cobardias públicas

O gosto dos portugueses por fogueiras já vem de longe e, se apanham alguém na mó de baixo, raramente escapa à execução na praça pública. A história da nossa proverbial coragem, ou está mal contada, ou esgotou-se com os afonsinos...

No caso das Raríssimas, por  que  havia de ser diferente? Embora  ninguém duvide que  se trata de uma instituição válida e meritória, a condenação sem julgamento da fundadora que a pôs de pé assemelha-se a um auto de fé.
Quem ascende a posições de domínio numa instituição cai facilmente em abusos, tendo  a tentação de os justificar com o que a instituição lhe deve pelo que fez em seu benefício.
Pode ser o caso da fundadora da Raríssimas que terá abusado do cargo enquanto presidente. 
Porém, quem a empurra para a fogueira comete seguramente um crime maior.

domingo, dezembro 17, 2017

Os ciúmes do presidente

Os incêndios deste verão foram uma tragédia de grandes proporções, sobretudo pelo número de vítimas mortais que provocaram.

A reconstrução das áreas atingidas está em marcha, sendo demagógico exigir, como alguns deixam transparecer, que em apenas 90 dias  as casas estivessem todas reconstruídas e os terrenos replantados.
Apesar disso, é lamentável que continue a utilização dos incêndios no debate político, servindo até, imagine-se, para ofuscar o êxito que constituiu a subida de dois níveis no ranking da dívida.

Que os partidos de direita se sintam derrotados pela melhoria do ranking, que objectivamente põe a nu os erros da sua política quando governaram, compreende-se. Que o presidente Marcelo se junte a este grupo dos radicais incompetentes e, mais uma vez, se agarre demagogicamente aos incêndios para não celebrar aquele feito, é que surpreende.
Se, como parece, os êxitos do governo lhe provocam azia, corra à farmácia, talvez os  amigos não tenham esgotado as alka-seltzer...


sábado, dezembro 16, 2017

Subir de nível

Este governo entrou em funções contra a vontade da direita e do presidente da República de então, Cavaco Silva, que tudo fez para evitar a sua tonada de posse.
Frustrada nos seus intentos por decisão do parlamento, a direita não desistiu dos seus  propósitos desestabilizadores e, desde então, foi anunciando desgraças que não se confirmaram e atribuindo ao governo a responsabilidade por catástrofes naturais, chegando ao desplante de inventar suicidios que só ocorreram nas suas doentias cabeças.

Apesar disso, nos dois anos de existência , o governo de António Costa cumpriu com todas as metas que se propôs, granjeando para o país o reconhecimento internacional, que resultou no fim do procedimento por défice excessivo e agora na subida do ranking da dívida do país.

As previsões catastróficas de comentadores e economistas encostados ideologicamente a direita nunca se confirmaram, revelando tão só a incompetência de quem as produziu.
Sem se preocupar com o piar agoirento destas corujas, a economia aproveitou o ambiente saudável gerado por esta solução governativa, crescendo acima das expectativas, e  o país recuperou da depressão econômica e social personalizada por Passos, Portas e Cavaco.



quinta-feira, dezembro 14, 2017

Carissimas

Acabo de ver o presidente da república fazer o panegírico das IPSS, aproveitando a vista ao programa "Natal dos Hospitais". Porém, nem a palavra do presidente, nem o andar de mão dada com a água benta são certificados de excelência nem garantia do bom uso dos dinheiros públicos que recebem.

Sabendo-se, como se sabe, que a gestão dessas instituições não prima pelo rigor, e a aprovação das contas é muitas vezes um proforma, estão criadas as condições para os abusos de quem está  em condições de se aproveitar da indisciplina, e as supostas poupanças assistenciais das IPSS resultam caríssimas.

Se, de facto, essas instituições fossem realmente privadas, como se intitulam, e não beneficiassem de apoios financeiros do estado, o problema diria respeito aos mecenas que as alimentam. No entanto, quando o orçamento do estado é o seu principal financiador, o caso muda de figura, e mal vai o estado que entrega sem controle o dinheiro dos contribuintes.

Infelizmente isto não é assim tão raro. O inverso é que são raríssimas.

O vicio é antigo e não vai ser fácil acabar com ele.

segunda-feira, dezembro 11, 2017

O MELHOR DO MUNDO

É Portugal, pois claro, o melhor destino turístico do mundo.

Lisboa, Madeira e Turismo de Portugal também ganharam prémios.

domingo, dezembro 10, 2017

Mais um fiasco

Entre as tarefas que se depararam a este governo, emendar  decisões do governo de Passos, Portas e Cavaco tem sido uma das principais.

Já teve que emendar a privatização da TAP, privatizada à pressa já depois das eleições que retiraram a maioria à dupla PSD/CDS, cabe agora ao governo de António Costa debruçar-se sobre os CTT, cuja privatização provocou a degradação dos respectivos serviços, causando prejuízos incalculáveis aos cidadãos e à economia do país.

Por mais água benta que o presidente e os patrões da comunicação social atirem sobre o governo da coligação PaF,  o tempo acaba por revelar a herança sinistra que deixou.

sábado, dezembro 09, 2017

A entrevista

A entrevista de Mário Centeno no público é um documento que deve ser lido, sobretudo por aqueles que o criticam, mas cuja actuação se esgota em selfies...

sexta-feira, dezembro 08, 2017

Zeca Diabo

 O Zeca Diabo de Sucupira era um cangaceiro de ficção, mas este é real.
A notícia de que Zeca Mendonça, conhecido verdugo do PSD apanhado a pontapear um jornalista, vai ser assessor do presidente Marcelo Rebelo de Sousa para a comunicação social, além de revelar falta de respeito pelos profissionais da dita comunicação, justifica o aforismo de que o crime compensa e faz luz sobre as preferências dos famosos afectos de Marcelo.

"Diz-me com quem andas..."

quarta-feira, dezembro 06, 2017

Johnny Hallyday - 1943 -2017

Y una vez más, gana Portugal


Talvez com uma pontinha de inveja, é assim que o espanhol El País aborda os êxitos conseguidos pela diplomacia portuguesa e não só. Ao contrário da proverbial arrogância espanhola, a que o articulista nunca se refere, Portugal aposta na simpatia e discrição, contentando-se em concorrer como segunda opção, o que explicará os sucessos portugueses, segundo o jornal.

Enfim, ciúmes de vizinhos.

segunda-feira, dezembro 04, 2017

Rui Ri(s)o

Rui Rio, candidato à liderança do PSD, congratula-se com a eleição de Mário Centeno para presidente do Eurogrupo, mas entende que o mérito tem de ser repartido com o governo de Passos Coelho, o tal que pôs o país a pão e água e nem com truques conseguiu cumprir o défice.

Com tanto sentido de humor, talvez o candidato deva mudar de nome...

Os atritos de Marques Mendes

Confesso que não acompanho a sua charla televisiva, mas os títulos dos jornais por vezes impõem-no.
Lembro-me dele desde os tempos de Sá Carneiro, ladino, truculento e inconsistente, mas sempre obediente às lideranças do seu partido, mesmo as que foram mais prejudiciais ao país. 
É sob esse prisma que as intervenções televisivas de Marques Mendes devem ser interpretadas.
Incapaz de se retratar da deselegância que teve com o ministro Centeno quando surgiu a notícia de que poderia ser candidato ao Eurogrupo, comparando-a a uma mentira do primeiro de Abril, o parcial comentador comportou-se como um serventuário da politiquice, inventando atritos entre os partidos que suportam o governo.

A minúscula mente de Marques Mendes não compreende que nem todos os partidos que apoiam governos têm de ser como o CDS, que abdicou da sua indentidade para apoiar o pior governo e o pior presidente, que entre 2011 e 2015 privatizaram tudo o que havia no sector público e espalharam a miséria entre o povo.

sábado, dezembro 02, 2017

Banal

Questionado sobre a declaração de Marcelo Rebelo de Sousa acerca da possível eleição de Mário Centeno para presidente do Eurogrupo, na qual o presidente referiu que o importante era que ele continuasse centrado no bom desempenho enquanto ministro das finanças, António Costa respondeu "óbvio", lembrando que uma das condições para ser presidente do Eurogrupo é ser ministro das finanças.

Tal resposta levou o Diário de Notícias a concluir que António Costa reduziu a declaração de Marcelo a uma banalidade.

A única questão que tal conclusão suscita é se apenas agora no DN se aperceberam de que muito do que diz Marcelo Rebelo de Sousa só pode ser banal, porque "quem muito fala pouco acerta" e ele não consegue controlar-se.

sexta-feira, dezembro 01, 2017

Centeno


Por enquanto é uma possibilidade, mas só a probabilidade de Mário Centeno vir a presidir ao Eurogrupo, contando entre outros com o apoio da Alemanha, França, Itália e Espanha, justifica o orgulho dos portugueses nesta candidatura. 
Os economistas encostados à direita (Cavaco, Teodora, Maria Luís e quejandos) tudo fizeram para o descredibilizar, antevendo catástrofes face às previsões do ministro das finanças, chegando ao ponto de ridicularizar o seu estilo simples e aparentemente ingénuo,  cuja argúcia os confunde, amarrados que estão  aos dogmas neoliberais.
A tudo Centeno respondeu com resultados positivos, baixando o deficit para valores nunca antes atingidos, reduzindo o desemprego e melhorando o PIB, tudo fruto de trabalho sério, competente e sem truques, reconhecido interna e externamente.

Há cerca de um ano, o PSD de Passos Coelho e o CDS de Cristas tentaram demiti-lo com base nuns emails que um egocêntrico presidente da Caixa Geral de Depósitos terá trocado com o ministro das finanças, em que se garantiria aos administradores da CGD a isenção de apresentar no Tribunal Constitucional a declaração de rendimentos. Se tal fosse permitido, seria a subversão do estado de direito...

 A aceitação da candidatura de Mário Centeno ao Eurogrupo é por isso também uma derrota para Passos Coelho e Assunção Cristas que, uma vez mais, ficaram no lado errado da história.

quarta-feira, novembro 29, 2017

Reencontros, ou o bom filho à casa torna ...

Desta vez, Marcelo não se mostrou a beijar velhinhas lacrimejantes, nem passeou por paisagens fumarentas, acompanhado por autarcas a culpar o governo pelos atropelos florestais nas áreas das respectivas autarquias.   Este filme já estava muito visto.

Agora foi ao Primeiro Congresso dos Gestores Portugueses. Porém, em vez de falar para gestores, falou para empresários, como se fossem a mesma coisa. Não são, os gestores são empregados dos empresários. Pode parecer semântica, mas não é. Os empresários são capitalistas, isto é, são os que arriscam, investindo capital nas empresas. Os gestores gerem, não arriscam nada.

 A intervenção de Marcelo dirigiu-se a capitalistas e fez suas as dores dos detentores do capital na crítica ao orçamento para 2018: favorecer os desfavorecidos em vez dos privilegiados. Um crime, no entender das associações patronais e respectivos peões de brega, os ditos gestores.

O alinhamento de Marcelo com eles só é surpresa para quem acredita em milagres. Ao reivindicar fatias do dinheiro dos contribuintes para "motivar" os empresários, Marcelo enquanto presidente da República Portuguesa está a dizer ao país qual é  a sua barricada. Sempre pertenceu à classe dominante deste país e, cedo ou tarde, isso havia de vir ao de cima. As selfies e os beijinhos nas velhotas são manobras típicas de personagens elitistas que de vez em quando até são capazes de vestir calças de ganga  e calçar botas, fingindo que se sentem bem entre o povoléu. 
Pura demagogia. Quando sentem os privilégios do seu grupo ameaçados, não há máscara que se aguente.




segunda-feira, novembro 27, 2017

"Está dito"

Não havia necessidade...

Rui Moreira, presidente da câmara do Porto,  não gostou de saber que parte do Infarmed ficará em Lisboa.
Parece que os  laboratórios, razão de ser do instituto, são financeiramente intransferiveis, apesar da vontade do executivo em engrossar o ego do autarca do Porto, já de si exponencial.
O país não é obrigado suportar tais custos.

domingo, novembro 26, 2017

Uma boa notícia

Para os mais novos, que já não foram obrigados a aprender  na escola primária o nome das linhas nem das estações por onde os comboios passavam, lembro que a linha da Beira Baixa começava na Guarda, entroncando com a linha da Beira Alta, e acabava no Entroncamento,  na linha do Norte.
No troço que vai ser recuperado, serão  reactivadas as estações ou apeadeiros de Barracão - Sabugal, Benespera, Maçainhas, Belmonte - Manteigas e Caria.
Parabéns ao governo e às povoações afectadas.

Chamo no entanto a atenção do governo para que não se esqueça de reactivar,  como prometido,   o troço da linha do Douro entre o Pocinho e Barca d'Alva, por onde passou Eça de Queiroz vindo de Paris (A Cidade e as Serras), mas que um século depois foi encerrado, privando os passageiros da linha do Douro de apreciarem a paisagem final do Douro Superior onde se produzem vinhos de qualidade igualmente superior, incluindo o Barca Velha, provavelmente o melhor vinho tinto português.

quinta-feira, novembro 23, 2017

Infarmexit e outros sintomas

A agência Europeia do Medicamento (EMA) vai sair de Londres para Amesterdão porque o Reino Unido decidiu sair da União Europeia.
O Infarmed saiu de Lisboa não se sabe bem porquê.   Do governo dizem que foi do interesse nacional, mas a vox populi diz que foi para satisfazer o ego do presidente da  câmara do Porto, abalado por não ter conseguido ficar com a EMA. 
Quanto ao interesse nacional estaria também salvaguardado em Lisboa, tal como até agora. Resta a segunda hipótese que, como critério de tomada de decisões de um governo, deixa muito a desejar.

Há pelo menos uma certeza: Nesta decisão, tal como na decisão de ser o Porto a concorrer à EMA quando a candidatura de Lisboa já estava lançada, ninguém se preocupou com os custos, o que parece estar a tornar-se num hábito e num péssimo sintoma.