quinta-feira, junho 22, 2017

Não havia necessidade...

Como há alguns dias aqui referimos, ainda não estava decidido em que país ficaria a Agência Europeia do Medicamento. Os candidatos eram mais de vinte, não havendo indícios de que Portugal fosse favorito. 
A discussão sobre se devia candidatar-se Lisboa ou o Porto pareceu por isso extemporânea. 
Segundo noticia o Expresso, as duas agências em questão já têm destino: a do Medicamento fica em Lille, a Autoridade  Bancária  em Frankfurt. 
A questiúncula  entre Lisboa e Porto, foi mais uma demonstração do nosso provincianismo.  

quarta-feira, junho 21, 2017

O avião que caiu à tarde, mas à noite não

Ontem a queda de um avião que combatia os incêndios na área de Pedrogao Grande foi notícia em tudo quanto é comunicação social.
Hoje as páginas que ontem garantiam a queda do avião estão a desaparecer da internet, o que atesta  infiabilidade da nossa imprensa que se apressa a apagar as provas dos seus erros.
De facto não caiu nenhum avião de combate a incêndios. O que caiu ainda mais foi a comunicação  social maria-vai-com-as-outras, que reproduz boatos desta gravidade sem qualquer confirmação.
A preguiça gera incompetência.

terça-feira, junho 20, 2017

Oportunismo incendiario

O fumo dos incêndios ainda paira no ar, mas alguns políticos e meios de comunicação não se contentam com as vítimas do fogo, querem mais.

Todos sabemos que mais de 90% da florestas pertence a privados que pouco Investem para as proteger do fogo. Há quem diga que as culpadas são as fábricas de celulose que incentivam a propagação do pinho e do eucalipto.

Vendo as imagens do que se passou na estrada onde morreram a maior parte das vítimas, não se percebe muito bem que, numa zona onde os incêndios regressam regularmente, a floresta comece na berma da estrada. Se fosse criada uma zona livre de floresta ao longo das estradas, não resolveria todos os problemas, mas a amorfia que dura há décadas não resolve nada.

Atirar culpas para quem conjunturalmente nos governa, sem avançar com propostas de solução não adianta nada. Reforçar os meios de combate também não evita os fogos, embora não se possam descurar.
O ordenamento da floresta torna-se imperioso, mas isso passa por convencer meio milhão de proprietários...

segunda-feira, junho 19, 2017

Os culpados de Pedrogão Grande

Quando ocorre um assalto ou um furto numa aldeia remota, é vulgar ouvir declarações dos habitantes locais culpando estranhos de passagem.
Pontualmente podem ter razão. Porém, nos casos que se conseguem averiguar, quase sempre se conclui que os criminosos são vizinhos ou conhecidos.
Com os incêndios florestais sucede, mutatis mutandis, o mesmo: quando não advêm de causas naturais, a origem e a sua incontrolável propagação têm muito a ver com a responsabilidade cívica que,  ao contrário de outras, é uma característica de que não nos podemos orgulhar.
A melhoria da educação escolar, não tem tido correspondência na educação cívica e é pena, porque é a evolução cívica que provoca o desenvolvimento civilizacional.
Todos lamentamos as vitimas de Pedrogao Grande, mas não podemos ficar por aqui.
Os canais televisivos que andam a vasculhar os locais do incêndio na ânsia de encontrar um culpado, são  dos principais responsáveis pelo nosso atraso cívico...

sábado, junho 17, 2017

Admirável!

É o mínimo que se pode de dizer da coragem e da visão estratégica do ministro das finanças, Mário Centeno. 
Contra a opinião dos que têm voz na Europa, num ano reverteu a politica desastrosa herdada do anterior governo, reduziu o deficit, pôs a economia e o emprego a crescer e provou que havia alternativa à cartilha da austeridade que a generalidade dos comentadores ditos economistas adoptou e impôs  ao país durante o malfadado governo de Passos Coelho. 
Provou não só isso, como provou também que a alternativa que seguiu é de longe melhor para o país e para o povo, contrariamente aos maus agoiros dos radicais internos e externos, vendidos aos interesses financeiros que apostam na desvalorização do trabalho em beneficio do capital.
A saída do procedimento por deficit excessivo é mais uma conquista dum governo que teve de enfrentar a desconfiança externa e uma oposição interna que nunca aceitou esta solução governativa, não hesitando em pressionar os aliados estrangeiros contra o governo de Portugal, uma conduta que raiou as fronteiras da traição.


Políticos como Centeno é o que Portugal precisa. De animadores de feira estamos fartos.   



  

sexta-feira, junho 16, 2017

Sentados no trono

A propósito da localização da Agência Europeia do Medicamento, convém lembrar que ainda não está garantido que Portugal seja o país escolhido. Por enquanto estamos na fase das candidaturas.

Tanto quanto se sabe, Lisboa foi a localização votada por unanimidade no parlamento, mas parece que entretanto alguns partidos esqueceram-se do que tinham votado...
Terá sido criada uma comissão que reforçou a escolha de Lisboa.
Tudo parecia pacifico. Porém, como vem sendo hábito quando cheira a investimento na capital, o Porto reivindicou a localização, tentando apanhar um comboio já em andamento. Coimbra e Braga, seguiram o exemplo e também reivindicam a localização da agência nas respectivas cidades. Se a novela continuar, talvez Faro, Beja, Evora,  Santarém, Castelo Branco, Viseu e Vila Real - para só referir as outras cidades capitais das províncias que vigoraram entre 1936 e 1976 - venham a arranjar argumentos para se candidatarem...

Um dos argumentos comuns a Porto, Coimbra e Braga, é a falta de informação sobre os requisitos do concurso, e não terem sido contactados pelas entidades envolvidas no processo.
Poderão ter as suas razões. No entanto, além  das reclamações tardias, desconhecem-se  outras diligências destes municípios  para atingir os objectivos que pretendem.
Reclamar será legítimo, mas o trabalho de casa é essencial, ou estarão confiados nas cunhas?

Em tempo: Ainda a tinta deste post estava fresca, quando uma vizinha me alertou para uma candidatura, esta sim, com pernas para andar, aqui mesmo em  frente, no Ginjal. Sítio com melhor vista não há e ninguém duvida da justiça do investimento...

segunda-feira, junho 12, 2017

A vergonha

Passos Coelho sempre teve o mesmo programa político: tirar aos pobres para dar aos ricos, aos trabalhadores para dar aos patrões e ao estado para entregar a quem calhou. 
Quando acabou a sua governação, a maioria dos portugueses estava muito mais pobre e o estado perdera a EDP, a REN, os CTT, a ANA e a TAP. 
Peço desculpa se alguma privatização me escapou, mas estes exemplos são suficientes para calcular a dimensão do esbulho e do prejuízo causado pelo governo de Passos Coelho ao país. Tirando a TAP, cuja privatização o actual governo do PS reduziu para menos de 50%, todas as outras empresas  eram rentáveis e davam dividendos ao estado. Agora dão aos chineses (EDP e REN), franceses (ANA) e outros accionistas.

Vem isto a propósito das declarações de Passos criticando a nomeação de um administrador para a TAP, empresa que vendeu na véspera de deixar o governo, quando já tinha perdido as eleições que deram a vitória aos partidos de esquerda e tinha sido demitido. Que falta de vergonha!


domingo, junho 11, 2017

O homem que queria ser primero-ministro

Chegou a escrever um livro onde expressou o que faria se fosse primeiro-ministro. Não o li, mas não me admiraria se tivesse servido de inspiração a Passos Coelho. Numa gala da SIC, houve  quem lhe chamasse primeiro-ministro mas, por enquanto, limita-se a entrevistá-los. 
Tudo depende da cor do entrevistado: se a cor for a mesma do entrevistador, a entrevista é um laudatório; se não for, é um combate corpo a corpo. No "jornalismo" do José Gomes Ferreira não há meias tintas: ou são por ele ou contra ele.
Parece que recentemente "entrevistou" António Costa. Escrevi parece porque há muito que não tenho paciência para assistir aos programas militantes deste falso jornalista. Porém, pelos ecos  que me chegam,  António Costa  conseguiu sobreviver aos ataques do minorca que terá tentado atribuir ao governo passista os méritos da actual governação. A voz do dono voltou a fazer-se ouvir.

sexta-feira, junho 09, 2017

Ir por lã e volver tosquiado

Theresa May tinha maioria no parlamento, mas queria uma maioria maior e convocou eleições na esperança de a conseguir.
As contas saíram furadas: perdeu a maioria e arrisca a liderança do partido e do governo. 
O estilo Thatcher está fora de moda e o Brexit ameaça transformar-se num Bresink...

quarta-feira, junho 07, 2017

Privilegiados

Nem todos os funcionários públicos são privilegiados, mas algumas corporações são.
Quando os magistrados do ministério público e os juízes ameaçam fazer greve, o país faz um sorriso amarelo.
Nem vale a pena falar do descrédito a que chegou a justiça, onde a produtividade, mesmo sem greves, é o que se sabe.
Pode haver quem pense e defenda que é legítimo estas classes profissionais reivindicarem mais regalias, além das que já têm.
Mas o que o país recebe em troca dos privilégios que lhes concede, está aquém do expectável e bem longe do exigível.
As greves anunciadas em nada contribuem para a melhoria e o prestígio da justiça.

Quanto à greve dos professores marcada para dia de exames, põe em causa a responsabilidade dos docentes da escola pública pelos seus alunos. 

segunda-feira, junho 05, 2017

Make América smaller

Acontece muito: Uma coisa são as promessas eleitorais, outra bem diferente é o que acontece quando se abocanha o pote ("vocês sabem do que estou a falar... ") 
Com Trump está à acontecer o mesmo: prometeu fazer a América maior (make América greater), mas as decisões que toma vão no sentido inverso. 
Ao renunciar ao Acordo de Paris, o presidente juntou os Estados Unidos da América à Síria e à Nicarágua na luta pela destruição do planeta. Ao mesmo tempo deixa caminho livre à China para liderar mais de centena e meia de países que estão do outro lado da barricada, defendendo o planeta Terra. 
Se isto não é fazer a América mais pequena, então a lógica é uma batata podre...

sexta-feira, junho 02, 2017

A revolta dos Estados

Palavra que me apeteceu escrever "a revolta dos escravos", mas creio que o conservadorismo de Trump não chega ao ponto de tentar repor a escravatura... 
No entanto, as reacções ao absurdo abandono do acordo de Paris, deviam fazê-lo pensar duas vezes. 
A decisão de alguns estados americanos de manterem as políticas conformes ao acordo de Paris pode esvaziar o gesto  de Trump e criar  dificuldades às iniciativas xenófobas do presidente. 

O arrivismo oportunista de Trump pode ter sido útil para o fazer rico, mas não é certamente uma qualidade que ajude um presidente a ficar na história por boas razões.