segunda-feira, maio 22, 2017

O criminoso da manha

Todos os dias se comete um crime na primeira página. É certo que nunca fui leitor de tal porcaria, mas no mundo mediatizado em que vivemos é impossível evitar os salpicos daquela imundice.
O último, cujos ecos indignados me chegam de várias origens, refere-se a  um vídeo da violação de uma menina menor que terá ocorrido num autocarro no Porto e, pasme-se, o pasquim da manha teve o desplante de reproduzir.
Confesso que não vi o vídeo, nem vou ver, por razões várias, nomeadamente a fundamentada recusa em contribuir para a publicidade dos criminosos envolvidos e dos que os publicam.
O país que se cuide, pois o desenvolvimento civilizacional de que carece é inversamente proporcional ao sucesso deste tipo de imprensa.

sexta-feira, maio 19, 2017

O rabo e o resto

Ainda há poucos dias comentávamos que o "independentismo" de Rui Moreira era mero populismo com o rabo de fora.

Afinal parece que não é apenas o rabo que deixou de estar escondido: segundo esta notícia, a família de Rui Moreira quer construir em terrenos do município, ou seja, o interesse particular do actual
presidente da câmara do Porto, ou da sua família, estará em rota de colisão com o da autarquia, o que não deixa de pôr em causa a transparência da gestão do actual presidente.
Para agravar a situação, o parecer dos serviços camarários que reclama para a autarquia a propriedade dos terrenos terá sido mantido em segredo desde dezembro, vá-se lá saber porquê.
Quem também quis guardar segredos foi o Núncio do CDS, e lá voaram dez mil milhões para os offshores ...

terça-feira, maio 16, 2017

Títulos de pôr a cabeça em água

"Isto não tem nada a ver com o anterior Governo, tem a ver com a inversão de políticas” (Expresso - Miguel Sousa Tavares) 


" É preciso recuar 17 anos para encontrar um crescimento do PIB mais alto" (Expresso - Sónia M. LOURENÇO) 




segunda-feira, maio 15, 2017

Faltou o Fado

"Fátima de manhã, futebol à tarde e à noite..."

O Fado não faltou, como se viu no aeroporto no dia seguinte...

domingo, maio 14, 2017

Parabéns Campeão!

Um feito inédito conseguido por Salvador Sobral que encantou a Europa com a canção de sua irmã, vencendo o festival da Eurovisão .
Será o regresso da música romântica, ou apenas um oásis no deserto ensurdecedor que se ouve por aí?
Parabéns!

"Portuguese is quite possibly the loveliest language in which to sing soft, good, songs". (The Guardian

sexta-feira, maio 12, 2017

Tempo de cerejas

Finalmente a chuva. Depois de um Abril seco e quente, a ausência da chuva era preocupante, mas não é por haver falta da assunto que falo do tempo. Senão vejamos:
1 - Sobre o independente do Porto, falei no post anterior. Está lá tudo.
2 - Sobre a candidata do CDS a Lisboa, não queria contribuir para a sua publicidade, mas se o Moreira do Porto se arrisca a cair no populismo, que dizer das 20 estações de Metro da Cristas?
3 -  E ainda não falei do Salvador, cuja voz celestial está prestes a salvar Portugal do anonimato musical.

Porém, as manchetes do dia são para o Papa Francisco que vai presidir às cerimónias de Fátima, onde Marcelo já pernoitou. Homem previdente, este Marcelo.

Enfim, as palavras são como as cerejas, ou ainda melhores...
Bom fim‑de‑semana.

domingo, maio 07, 2017

Populismo com o rabo de fora

Parece que nas próximas eleições autárquicas vai aumentar o número de candidatos independentes às câmaras municipais. Daí não viria mal ao mundo. 
Porém, quando o "independentismo" dos candidatos aparece aliado ao populismo anti-partidos, o caso muda de figura. Ninguém é obrigado a filiar-se em partidos nem esse facto é impeditivo de intervir politicamente. 
No entanto, a experiência demonstra que sem partidos não há democracia nem liberdade, pelo que, quando se atacam e se tentam afastar os partidos, ataca-se a democracia.
Quem não entende isso, ou é ingénuo, ou é perverso.
A candidatura de Rui Moreira à câmara municipal do Porto parece imbatível, mas se ganhar com base na propaganda anti-partidos, perde a democracia e perde o Porto.
Sendo uma cidade de tradição oligárquica, o surgimento de personalidades que lideram sem concorrência diferentes sectores da sociedade portuense é bastante comum. 
Porém, quando isso acontece na área política, as cedências ao populismo são inevitáveis.
Quem andou a vangloriar-se de que em Portugal felizmente não havia os movimentos populistas que proliferam noutros países europeus falou antes do tempo.


sexta-feira, maio 05, 2017

Almeida, Vilar Formoso e a CGD

A sobrevivência da Caixa Geral de Depósitos impõe uma reestruturação que passa (também) por reduzir o número de balcões. A abertura de balcões está sujeita a estudos de mercado de forma a garantir a sua sustentabilidade. Uma agência que dá sucessivos prejuízos não é sustentável, por muito que custe aos seus utentes.

Almeida mantém com a vila de Vilar Formoso uma rivalidade tradicional. Beneficiando do caminho de ferro internacional, e sendo a principal fronteira terrestre do país, não admira que tenha sido em Vilar Formoso onde primeiro se instalaram os bancos, e não em Almeida.
O concelho de Almeida tem 16 freguesias, a maioria das quais mais próximas de Vilar Formoso do que da sede de concelho. Aliás, Almeida situa-se no extremo norte do concelho, apenas a sul de Malpartida. Todas as restantes freguesias se situam a sul da sede de concelho, tal como Vilar Formoso.
Convém não esquecer que também há pensionistas nessas freguesias, mas, como é óbvio, não pode haver um balcão da CGD em cada uma.
Se se perguntar aos utentes de cada um dos balcões da CGD que vão fechar, provavelmente não concordam com o fecho, mas a Caixa não pode ser gerida ao sabor de manifestações manipuladas por desígnios partidários.

quarta-feira, maio 03, 2017

Formigas com catarro

Já houve no nosso parlamento quem considerasse o regime da Coreia do Norte um exemplo de democracia.
Também na Assembleia da Republca houve em tempos quem se sentisse asfixiado democraticamente.
Ainda no âmbito parlamentar surge agora uma nova teoria segundo a qual a nossa democracia se terá transformado numa "democracia simulada".
Intencionalmente não faço links nem refiro os nomes dos génios que se agarram à palavra "democracia" para descarregar as suas frustrações saudosistas, mas sempre lhes direi que nos modelos de "democracia" que uns e outros defendem não havia espaço para críticas.

Se até no parlamento lhes permitem dizer tais alarvidades, que melhor prova querem de que vivemos em democracia?