quarta-feira, novembro 22, 2017

Fazer marcha atrás

Os acordos a que o governo terá chegado com os sindicatos dos professores provocaram um turbilhão de reivindicações de outros sectores do funcionalismo público, exigindo tratamento igual.
Em Portugal confunde-se o igual com o igualitário e resulta dessa confusão o facto de as carreiras da função pública terem por base a antiguidade, quando devia ser o mérito.
Com tal critério, em alguns sectores bastará  deixar passar o tempo para se atingir  o topo da carreira. Uma aberração, que sai cara aos contribuintes.

Uma função pública onde a antiguidade subverta o mérito, além de ser um mau exemplo, prejudica o país e cria um fosso discriminatório com os trabalhadores do sector privado, gerando tensões sociais.

Acresce que não há dinheiro para satisfazer todas as reivindicações corporativas de que os sindicatos da função pública se lembram com o beneplácito entusiástico do PCP e do BE, partidos que apoiam o governo,  mas cujas propostas orçamentais só têm  um sentido: aumentar a despesa...



4 Comentários:

Às 24/11/17, 02:23 , Blogger Célia disse...

Reformei-me "compulsivamente" :) não pelos alunos, mas por estar fartinha, fartinha nesmo de levar tanta pancada da sociedade. Trabalhava entre 50 a 60 horas semanais e corrigi centenas de exames nacionais que me atiravam, quase de gatas, para férias. Vivia, e vivo,a 5 minutos da escola, onde estive 21 anos, antes disso fiz o meu periplozinho por outras escolas do país( é fantástico ler por aí o horror, o descalabro familiar, provocado pela deslocalização dos funcionários do Infarmed-sem que eu defenda ou ataque a decisão do governo - pobres professores...) e, mesmo assim,
saí, apesar dos 22,5% de desconto sobre 80% do salário base.Desde 2003 que permaneci no mesmo escalão e com funções de coordenação do grupo disciplinar, de orientadora de estágio, de formadora de professores e de vice-presidente no Conselho Executivo da Escola. Se lá continuasse, estaria exatamente na mesma posição. Sinto-me muito revoltada com o que leio sobre os professores. Toda a gente tem ideias feitas.
Deixo-lhe aqui um texto que copiei de uma colega minha e talvez fique com uma ideia mais clara sobre a progressão da carreira dos professores. Repare que não estou a criticá-lo, mas apenas a esclarecê-lo,se me permite a ousadia.
Ainda a propósito, o pessoal do ensino secundário nunca morreu de amores pelo Mário Nogueira e, pessoalmente, até considero que ele é uma figura nefasta para os professores.

"Desfazer mitos. Ao cuidado especial de jornalistas e "comentadeiros".
1.° Ao contrário de muitos Funcionários Públicos os professores possuem, pelo menos, uma licenciatura, logo têm uma qualificação diferente;
2.° Os professores não têm 11 alunos.
Têm 5,6,8 ou até 12 turmas com até 30 alunos por cada uma delas, ou seja 100, 200, 300 alunos;
3.° A progressão não é automática.
Para progedirem precisam:
50 horas de formação -na sua maior parte creditada e que é, na maioria dos casos, paga do seu bolso e realizada em horário pós laboral, noites e fins de semana incluídos;
relatório anual com três vertentes: pedagógica; científica; formação e desenvolvimento;
aulas assistidas, com avaliador externo e interno nos 2.° e 4.° escalões para progressão aos seguintes escalões;
relatório reflexivo no ano em que perfaçam o tempo total de permanência no escalão para progressão ao seguinte com avaliação de no mínimo Bom em todos os escalões;
Quotas para progressão ao 5.° e ao 7.° escalões;
4.° os professores desempenham funções cada vez mais desregulamentadas e trabalham muito além do seu horário laboral em inúmeras tarefas burocráticas;
5.° São avaliados diariamente pelos seus alunos e Encarregados de Educaçăo;
6.° Não beneficiam de qualquer estatuto especial no que diz respeito a profissão de desgaste rápido ou doenças profissionais.
Também têm família e vida própria.
Se precisarem de mais esclarecimentos disponham....."

Caro José, este comentário mais parece um lençol ☺, assim, se preferir, não o publique, porque o meu intuito era apenas mostrar-lhe como a progressão não se estriba apenas na antiguidade. Eu, por exemplo, reunia todos os quesitos para mudar de escalão em 2009...
Boa noite.
Abraço.

 
Às 24/11/17, 05:11 , Blogger José Ferreira Marques disse...

Cara Célia:
Obrigado pelo seu comentário. Seria uma indelicadeza não o publicar.
Se bem que no meu post começasse por referir ao acordo do governo com os sindicatos dos professores, não conheço o seu conteúdo, mas o que surpreendeu, não apenas a mim, foram as imediatas reivindicações de outros sectores da função pública para terem igual tratamento.
Porém, tal com também insinuei no meu texto, não se pode comparar o que não tem comparação, desde logo porque os requisitos de cada profissão também não são os mesmos. Ou seja, o que para os professores se poderá justificar, pode não ter justificação noutros sectores da função pública. Foi isso que quis transmitir.
Claro que sou sensível ao drama da "transumância" dos professores, mas também não sou indiferente à imagem que se transmite da qualidade do ensino público, nomeadamente do secundário, que me levou, enquanto pai, a recorrer ao ensino privado.
Esta é, segundo o meu entendimento, a razão da "pancadaria " da sociedade sobre os professores, injusta em muitos casos certamente, mas é a vida....

Cumprimentos e não tema comentar.





 
Às 24/11/17, 09:37 , Anonymous Anónimo disse...

O hiato entre aquilo que os caríssimos professores dizem de si próprios e os "mitos" que alegam instalados na sociedade, parece-me algo que seria de simples solução. Com efeito, bastaria uma boa avaliação para esclarecer de vez o "diferendo". Mas, como se sabe, não há avaliação que sirva a quem passa a vida a avaliar.

Quanto à magna questão da "transumância", confesso que não percebo o que passa pela cabeça de quem abraça a carreira da função pública. Então o serviço público é para ser prestado onde ele é necessário ou onde "dá jeito" ao funcionário? Segundo esta lógica, e no limite, teríamos os militares a reivindicar que as guerras não se realizassem a mais de 30 km da residência de família.

AReis

 
Às 24/11/17, 15:54 , Blogger Unknown disse...


A Célia é uma pessoa amarga. E tem as suas razões. O que não compreendo é que ela dê pancada no Mário Nogueira. Podia ter acabado melhor...

João Pedro

 

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