sexta-feira, dezembro 12, 2014

Julgamentos na praça pública

As transmissões televisivas, em directo, dos trabalhos das comissões de inquérito da Assembleia da República têm grande impacto na opinião pública, nomeadamente quando estão envolvidas personalidades de relevo na sociedade.
A inquirição ao grupo Espírito Santo tem todos os ingredientes de uma tragédia clássica, onde não falta o elemento fratricida nem os fantasmas freudianos inerentes à personagem do pater familiae.

O outrora todo poderoso Ricardo Salgado, passou do dia para a noite a bode expiatório da maior catástrofe económica e financeira do Portugal moderno. Aqueles que há pouco meses o bajulavam,  acusam-no agora das piores infâmias, e até parece que não havia mais ninguém com dois dedos de testa  no Grupo Espírito Santo... Os outros seis mil  eram todos inimputáveis...
Os contornos da coligação de interesses que se prepara para o executar, ja estão definidos, embora entre os partidos que integram a comissão haja perspectivas diferentes.
Não vale a pena fingir que o caso não é político, pois o PSD já mudou várias vezes de discurso, procurando a melhor barricada para alijar o governo da responsabilidade pelo colapso do BES. Como se tal fosse possível... 
 De facto, Ricardo Salgado pode não ter gerido o BES da melhor maneira, mas não foi o único banqueiro a ter problemas desde que a crise começou em 2008. Cá dentro e lá fora  não faltam exemplos.

Um primeiro-ministro  que recebe qualquer badameco que venha lá de fora, mas nem se dispõe a responder à carta do presidente do maior grupo financeiro privado do país, estará ao serviço de quem?

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