sexta-feira, dezembro 14, 2018

Culpas e desculpas

Culpar o governo por tudo e por nada é um hábito bem português, que coloca quem nos governa no papel de bode expiatório da nossa generalizada irresponsabilidade.

Se o governo responde, devolvendo a responsabilidade aos seus autores, estes exigem um pedido de desculpas ao governante que deu a cara.

Há lata para tudo e ai está a comunicação social sempre pronta para o bota abaixo.

segunda-feira, dezembro 10, 2018

Autogestão

A legitimidade vem do voto, não da pressão corporativa.

domingo, dezembro 09, 2018

Corporativismo e democracia

A febre reivindicativa do sector público - não apenas da função pública -, são no essencial manifestações de corporativismo, que em alguns casos disfarçam interesses de duvidosa legitimidade:  A PSP tem 16 sindicatos e 36.000 dias de folga para os respectivos dirigentes.

As intervenções do presidente da república, reivindicando o direito à greve quando questionado sobre o actual surto grevista, é apenas mais uma manifestação do  irresistível populismo que o leva  a cavalgar a onda de cada momento. 

Se o direito à greve está consagrado na constituição, a defesa da democracia também lá está e, sem democracia, não há direito à greve...
A defesa exacerbada de interesses corporativos colide frequentemente com o interesse geral, este sim, vital para a sobrevivência da democracia.

Quando se permite que morram crianças por falta de assistência motivada por greves, qualquer dia chamamos democracia a uma coisa que já não é.

quinta-feira, dezembro 06, 2018

Greves da função pública

O direito à greve foi uma conquista do 25 de Abril.
Transformá-lo no direito à anarquia é que não estava no espírito do legislador...

quarta-feira, dezembro 05, 2018

Comunicação social independente?

O descalabro da comunicação social era de há muito previsível. A parcialidade acintosa dos conteúdos,  claramente inclinados para a direita, afastou por si só grande parte dos leitores.
Se acrescentarmos o copy paste  com que os jornais portugueses disfarçam a preguiça das redações, veremos o cenário que conduziu ao actual estado comatoso.

O sugestão/proposta do presidente da república, dando a entender que orçamento do estado deveria subsidiar a comunicação social, pareceria uma boa solução, mas não é.

Exceptuando a RTP/RDP, tudo o resto pertence a grupos privados que não dão mostras de virem a corrigir a trajetória que levou ao desastre. Bem pelo contrário...
Por isso, atirar o dinheiro dos nossos impostos para o buraco sem fundo da comunicação social privada, seria subsidiar a asneira.

O país tem outras prioridades.

segunda-feira, dezembro 03, 2018

Humor (negro) municipal

EMEL quer chegar a todas as freguesias e "ser a empresa mais amada de Lisboa"


Basta ouvir as reações dos condutores quando são multados. 
Se aquilo não é amor... 

E o fascismo aqui tão perto...

Dizem que os coletes amarelos franceses juntaram a extrema-esquerda com a extrema-direita.
Pelo que se depreende das notícias, poucas dúvidas haverá sobre quem assumiu a liderança.
Aqui mesmo ao lado, pela primeira vez em democracia, a direita ganhou as eleições na Andaluzia. Para governar precisará de se aliar à extrema-direita que elegeu doze deputados...

Os novos fascismos não chegam ao poder por golpe de estado. Vão chegar pelas urnas.
O pior vem depois.

domingo, dezembro 02, 2018

Nisto ninguém nos bate

16, leu bem, dezasseis oscars para o Portugal turístico. 
Veja quais são aqui.

quinta-feira, novembro 29, 2018

Racismo, ou nem por isso

Segundo o relatório (Being Black in the U.E.) publicado anualmente, embora o racismo seja uma realidade na União europeia, Portugal está entre os países onde os cidadãos de origem africana se sentem menos discriminados.

Alguns países que olham de soslaio para os do sul da Europa estão nesta matéria bem pior.
Só se surpreende quem anda distraído.


domingo, novembro 25, 2018

Angola - Portugal, encontros e desencontros

A visita a Portugal de João Lourenço, actual presidente de Angola, motivou reações muito positivas do lado português. Os políticos portugueses, a começar pelo presidente da república, não conseguiram disfarçar a ansiedade com que receberam esta visita, andando quase literalmente com ele ao colo.

No entanto, quanto ao visitante, para além  da reiterada perseguição à família Santos, pouco mais se ficou a conhecer da sua agenda política. Ao parafrasear Salazar, quando aconselhou os portugueses a irem para Angola em força, deve ter provocado cambalhotas na tumba de Agostinho Neto.
Porém, depois de mais de quarenta anos  de independência, os serviços de saúde angolanos continuam na cauda mundial e, quanto à educação, as promessas da luta pela independência, estão longe de ser cumpridas.

Por outro lado, a produção de café, sisal, algodão ou açúcar, produtos exportados na época colonial, agora nem sequer satisfaz as necessidades internas.

Não surpreende por isso, o pedido de ajuda já que, pela língua comum, nenhum país pode competir com Portugal, e só os complexos para com o país colonizador explicam as falhadas experiências de Angola com outros países.

terça-feira, novembro 20, 2018

As tragédias e os espertos a posteriori

Sem se fazerem anunciar, de repente acontecem e provocam-nos um aperto no estômago, motivado pelo reconhecimento da nossa impotência perante a tragédia.
De imediato começa a caça às bruxas no frenesim de arranjar um bode expiatório para arcar com as responsabilidades coletivas.

Das pedreiras de Borba e Vila Viçosa sai o famoso "mármore de Estremoz" que, ao ser exportado, por vezes muda de nacionalidade e passa a ser de Carrara.

A tragédia que se abateu sobre as simpáticas  vilas alentejanas deve ser investigada, mas dispensam-se os comentários dos especialistas que só adivinharam a catástrofe depois de ela acontecer.

sexta-feira, novembro 16, 2018

Obsolescência programada

Já deve ter reparado que uma máquina lá de casa que trabalhava tão bem, de um dia para o outro começa a ter problemas sem motivo aparente.

De cada vez que o seu portátil, tablet ou smartphone, actualiza o sistema operativo, você não sabe, mas, em vez das melhorias anunciadas pelo fabricante, pode estar a carregar sofware  para encurtar a vida do seu equipamento.

O problema da obsolescência programada começa a preocupar os governos e já há países com legislação específica: em Itália, a Samsung e a Apple pagaram multas de vários milhões de euros.

Os lucros dos fabricantes destes equipamentos são tão astronómicos que não  é com multas que acabarão com estas práticas. É preciso criminalizá-las.

terça-feira, novembro 13, 2018

Revisão da história


A "expulsão" de Colombo do jardim ficou a dever-se a um movimento que considera o descobridor da América responsável pelo genocídio das tribos americana e, como tal, indigno da homenagem que a estátua representava.
Este acto, além de ser escandalosamente anti-cultural, parece pretender branquear o morticínio  da  famosa "conquista do oeste", empreendida por colonizadores de outras origens. 


Trata-se de mais um episódio da revisão da história dos descobrimentos que  entre nós já teve expressão na polémica sobre a designação do museu para celebrar a gesta dos nossos navegadores.


segunda-feira, novembro 12, 2018

E dizem isto tudo sem se rir?

"Familiares de Menezes receberam quase dois milhões em offshore quando este era autarca"


quinta-feira, novembro 08, 2018

Ansiedades e sofreguidão

Não sei se António Costa está preocupado com a saúde de Marcelo Rebelo de Sousa ao ponto de lhe aconselhar calma, ou se pretende apenas que a sofreguidão do Presidente não prejudique a investigação que decorre sobre o roubo de Tancos.

Que Marcelo gosta de cavalgar a onda da agenda mediática, não é surpresa para ninguém.
Que um presidente ceda a essa tentação é que pode ser questionável.

quarta-feira, novembro 07, 2018

A nova direita

Quem pensava que a direita portuguesa era composta pelo PSD e o CDS enganou-se.
Segundo João Miguel Tavares, há ainda



Será esta a nova direita
Se for esta, nova não é...

domingo, novembro 04, 2018

Touradas

Os espanhóis chamam-lhes corridas, e as primeiras  a que assisti foi numa aldeia da raia beirã, com touros e toureiros espanhóis, num terreiro com carros de machos e carroças em círculo, que também serviam de bancadas.
Em adulto, nunca assisti "in loco" a uma tourada, embora pontualmente faça um zapping nas transmitidas pela televisão.

Não é desporto (?), nem espectáculo que me motive, mas também não me incomoda que outros apreciem.

Que a ministra da cultura responda que se trata de uma questão de civilização - quando questionada se era uma questão de gosto uma eventual não descida IVA das touradas -, está no seu direito de ter opinião.

Que, por esse facto, os aficionados taurinos exijam a sua demissão, também estarão no seu direito. 
Porém, não convém exagerar, porque arriscam mais que o IVA...

sábado, novembro 03, 2018

Talvez os elogios à Joana tenham sido um pouco exagerados...

Prender para investigar é uma prática que não respeita o princípio da presunção de inocência, viola os direitos fundamentais da cidadania e prejudica a democracia.


O juiz de instrução não tem de ser cúmplice do Ministério Público, nem o MP, mesmo que demore séculos a investigar, é o obrigado a acusar se não tiver provas.

quinta-feira, novembro 01, 2018

País de bruxas


A notícia não abre a primeira página do jornal, mas merecia: não é todos os dias que se descobre a origem das desgraças.  
Porém, as bruxas não são todas iguais: há as boas e há as más. As más servem para nos azucrinar, as boas anulam os bruxedos das más, se para tal forem alertadas...

Isto é em teoria, porque, na realidade, as más disfarçam--se de boas. 

quarta-feira, outubro 31, 2018

Brasil

Por estes dias, as notícias e os comentários são mais sobre o Brasil do que sobre Portugal.
Não costumo abordar aqui as vicissitudes políticas de países estrangeiros. É difícil para quem está de fora ajuizar.

A recente eleição de Jair Bolsonaro para presidente do Brasil provocou em Portugal um quase unanimismo, considerando uma tragédia a eleição duma personalidade tida como de extrema direita.

Porém, tendo em conta que a eleição foi democrática e a vitória de Bolsonaro foi incontestável, parece que o mais sensato será esperar para ver.
A vitalidade da sociedade brasileira já ultrapassou situações politicamente mais complexas.

sexta-feira, outubro 26, 2018

As surpresas de Cavaco


Esta frase terá sido proferida por Cavaco Silva numa entrevista a divulgar pela TSF. O espanto do ex-presidente tem a ver com o apoio destes partidos às sucessivas reduções do défice no mandato do actual governo.

Cavaco só não diz - porque não lhe agrada reconhecer os próprios erros -,  que essas reduções têm sido conseguidas em simultâneo com a melhoria das condições de vida dos portugueses, algo que para Cavaco e os seus amigos da direita é inconcebível. 

O que dói a este suposto professor de finanças é o facto de a política financeira do actual governo ter deitado por terra as suas teorias austeritárias, consubstanciadas na tenebrosa TINA (there is no alternative) que tanta miséria provocou.

O país continua a aguardar a autocrítica desta personagem, que enquanto primeiro-ministro e presidente da república não deixou saudades, e anda a tentar limpar-se, publicando livros que apenas servem à satisfação do seu descomunal ego.

quarta-feira, outubro 24, 2018

O livro de Cavaco

Não li, mas tenho lido quem o leu.

domingo, outubro 21, 2018

As rosas do Fernandes

As rosas deste Fernandes não são flores que se cheirem.
O ataque cobarde é típico da direita, que sempre usou a mentira para manipular o povo.

Podem parecer que são democratas, mas há sempre um fascista atrás do arbusto...

A orgia de Rui Rio

"...não sei o que é para ele uma orgia. O orçamento aponta para um défice baixo como nunca. A última coisa que se pode dizer deste orçamento é que é despesista. Se houvesse bodo aos pobres à custa de um défice orçamental upa-upa, que, de seguida implicasse aumento da dívida público então sim, seria despesista, eleitoralista, uma orgia. Agora assim... É que este é justamente o contrário: este é um orçamento equilibrado -- mais equilibrado que este não pode haver. Aliás, nunca houve."

Se Rui Rio tinha de dizer qualquer coisa, que falasse de futebol. Não se espalhava tanto, digo eu... 

quarta-feira, outubro 17, 2018

Meter o bedelho no orçamento

Não conheço a proposta do orçamento do estado para 2019. Tal como a maioria dos portugueses, acompanho a discussão pela televisão e as páginas online dos jornais.
Infelizmente não abundam as análises desapaixonadas, pelo que acabo por me guiar pelo feeling do que conheço dos intervenientes.

O principal interveniente é o ministro das finanças e Mário  Centeno ainda não me desiludiu.

O que este homem tem conseguido nas finanças públicas e no desenvolvimento da economia é tão elogiado lá fora, que torna ridículas as críticas internas  à sua actuação, tal como as acusações de eleitoralismo feitas ao O.E.

As carpideiras passistas que não aguentam a azia que a geringonça lhes provoca vão tratar-se para outra freguesia, que  aqui não há pachorra para os aturar.

sábado, outubro 13, 2018

Portugal não é lixo

Finalmente as agências que servem de barómetro para o investimento reconhecem que investir na dívida portuguesa não é investir em lixo.

Este facto deveria abrir as primeiras páginas da comunicação social, que continua a preferir a novela de Tancos...

Se o desenvolvimento da economia assenta em bases sustentáveis, como reconhecem as agências internacionais, só não é destacado pela imprensa porque é controlada por grupos económicos que têm uma agenda política de oposição ao actual governo.

É só azia...

quarta-feira, outubro 10, 2018

Burros, ou chicos-espertos?


Quando se discute o aumento do salário mínimo, os representantes dos patrões vêm logo propalar que não pode ser porque a nossa produtividade é baixa.
 Como descuram a escolaridade e se contentam com a esperteza saloia,  custa-lhes a perceber que a maior responsabilidade pela pouca produtividade das nossas empresas não é dos trabalhadores, mas da impreparação de quem as gere.

domingo, outubro 07, 2018

Terrorismo de estado

O malogrado jornalista terá ido ao consulado para obter documentos de divórcio. Antevendo os riscos, deixou a sua noiva à porta com a incumbência de avisar as autoridades turcas se ele não regressasse.
Como nunca mais regressou, a polícia turca admite que o corpo tenha sido retirado do interior do consulado e feito desaparecer.


sexta-feira, outubro 05, 2018

Web Summit


80.000 participantes irão  deixar anualmente 300 milhões de euros só em alojamento e transportes, gerando 11 milhões de investimento público em cada ano.

A popularidade internacional de que goza Lisboa como cidade da moda também terá pesado na decisão.


domingo, setembro 30, 2018

Alves Barbosa (1931-2018)




Juntamente com  Joaquim Agostinho, Alves Barbosa é uma das maiores lendas  do ciclismo nacional:  
Venceu três voltas a Portugal e foi o primeiro português a ficar nos dez primeiros lugares na volta a França.
As lendas não morrem.


quarta-feira, setembro 26, 2018

Contra os canhões, marchar, marchar...

Reza a lenda que a versão original era "contra os bretões" e não "contra os canhões", mas o que ficou foram os canhões.
Não sei o que será mais  perigoso: marchar contra os bretões, ou contra os canhões, mas parece que há por aí gente disposta a experimentar.

A justificação é o malfadado roubo de Tancos, cujo processo neste momento estará a averiguar os contornos da devolução do material hipoteticamente roubado. Palavra de PGR.

Há suspeitos detidos, que em breve serão apresentados ao juiz. 
Cumulativamente há propostas para uma comissão de inquérito, primeiro passo para a politização de um caso que devia ser da exclusiva esfera judicial.
Virar polícias civis contra militares nunca deu bom resultado. Haja bom senso.

sexta-feira, setembro 21, 2018

Uma campanha contra a constituição

A campanha da direita para a recondução de Joana Marques Vidal no cargo de Procuradora Geral da República era, em rigor, uma campanha contra a Constituição da República Portuguesa. Felizmente, deu em nada.
Só uma leitura enviesada, como a que a direita costuma fazer da constituição, permitiria concluir que a recondução da actual procuradora geral, ou de outro qualquer procurador geral da república, estaria em conformidade com a letra e o espírito da constituição.
Ainda bem que o actual presidente foi professor de Direito Constitucional pois, se fosse o seu antecessor, haveria imbróglio pela certa.